Korta — da necessidade de produção ao plano de corte

Visão do produto e especificação funcional · Revisão de 26/10/2026

O Korta é um sistema de planejamento de corte de chapas. Sua proposta é transformar a necessidade de peças em uma combinação executável de cortes e materiais, com controle das partes geradas. Ele nasce de um problema industrial concreto: o mesmo item pode ser cortado em múltiplos diferentes, dependendo da chapa, do arranjo e das outras peças que precisam ser produzidas.

Este documento explica por que o processo precisa mudar, como deverá funcionar e o que precisa ser entregue. A apresentação do produto é independente de um ERP específico. As integrações e a implantação em cada fábrica serão tratadas como configurações e contratos próprios.

1. Por que precisamos mudar

A lista de materiais — BOM, do inglês bill of materials — descreve os componentes e materiais necessários para fabricar um produto. Sua explosão transforma a necessidade dos produtos em necessidades dos componentes, respeitando quantidades, unidades e regras técnicas.

Na operação que motivou o Korta, essas explosões envolvem muitos SKUs, os códigos que identificam os itens. Entre eles estão os blanks: peças cortadas que ainda passarão pela prensa e por outras operações. O mesmo blank pode sair de arranjos diferentes e em quantidades diferentes a cada corte. Uma chapa também pode atender vários SKUs ao mesmo tempo.

Os cadastros e os processos de engenharia e de planejamento e controle da produção (PCP) não foram preparados para representar toda essa variação. Quando tratamos um rendimento variável como se fosse uma relação fixa do item, perdemos a ligação entre o que precisamos produzir e como a matéria-prima será realmente utilizada.

Isso cria riscos concretos: programar cortes sem considerar o conjunto das necessidades; produzir excedentes; reservar material em duplicidade; consumir uma chapa inteira no sistema sem distinguir suas saídas; e tratar uma sobra aproveitável como sucata porque não sabemos sua forma, origem ou localização. São problemas que o piloto deverá medir, sem presumir antecipadamente o tamanho do ganho.

A mudança proposta é separar duas decisões e conectá-las: a BOM e o PCP determinam quais peças são necessárias; o plano de corte determina quais unidades de material serão usadas e quais peças e sobras sairão de cada execução.

A BOM continua sendo a referência técnica. Precisamos revisar os cadastros, as regras e as interfaces com o PCP para que ela trabalhe com o planejamento de corte. O rendimento de cada arranjo deve ficar no padrão e na execução correspondentes; não deve ser presumido como um único número permanente do SKU.

2. Um exemplo que torna o problema visível

Considere uma fábrica que precisa de 10 peças A, 3 peças B e 3 peças C. Neste exemplo didático, todas usam material compatível e dimensões que permitem quatro peças por chapa.

Forma de planejarCortes executadosChapasPeças produzidasExcedente
Cada SKU separadamente3 chapas com 4 A; 1 com 4 B; 1 com 4 C512 A, 4 B e 4 C2 A, 1 B e 1 C
Necessidades combinadas1 chapa com 4 A; 3 com 2 A + 1 B + 1 C410 A, 3 B e 3 CNenhum

A necessidade dos produtos é a mesma. O que mudou foi o padrão de corte. No padrão exclusivo, saem quatro peças A por chapa; no padrão misto, saem duas A junto com B e C. Por isso, o rendimento de A depende do arranjo escolhido.

A chapa mista é consumida uma vez, embora produza três SKUs. O sistema deve registrar todas as saídas e distribuir o custo segundo a regra aprovada, sem criar três consumos da mesma chapa.

As quatro posições do exemplo podem ser verificadas em uma chapa de 1.000 × 2.000 mm, com peças de 480 × 980 mm, margem de 10 mm e separação de 5 mm, sem rotação. São dados inventados para explicar o método. A diferença de cinco para quatro chapas vale apenas para esse cenário; não é promessa de economia de uma fábrica.

Na operação real, outro material, formato, prazo, sentido de laminação ou restrição de máquina pode mudar a solução. A função do Korta é tornar essa decisão calculável, visível e rastreável.

3. O que o Korta precisa conectar

O fluxo começa na necessidade de produção e termina na conferência do corte e de suas saídas. Há dois planejamentos encadeados: o que precisa chegar à primeira operação produtiva e como cortar o material para atender essa necessidade.

3.1 Determinar o que precisa ser produzido

Engenharia fornece a BOM válida, os desenhos e as especificações. PCP fornece ordens, quantidades, datas, prioridades e recursos. A explosão deve identificar os blanks e a quantidade necessária para abastecer a primeira prensa ou operação consumidora.

Antes de gerar mais corte, o PCP confirma o que já está pronto, o que está em processo e o que estará disponível a tempo. Cada cobertura é abatida uma única vez. Estoque desconhecido permanece pendente; não vira zero por conveniência.

Há também um uso inicial mais restrito: replanejar ordens de corte já emitidas. Nesse caso, a demanda é a quantidade restante da própria etapa de corte. Não se soma novamente a necessidade que deu origem à ordem. Esse modo permite evoluir o planejamento enquanto a explosão completa da BOM é revisada.

3.2 Identificar o material que pode atender à demanda

O sistema reúne chapas inteiras e, conforme as funcionalidades forem implementadas e validadas, intermediários e retalhos disponíveis. Cada candidato precisa de material, espessura, dimensões ou contorno, localização e situação de uso conhecidos.

Não basta ter o mesmo peso ou a mesma espessura. A compatibilidade depende da especificação, das tolerâncias, do acabamento, da aplicação e das equivalências aprovadas pela Engenharia.

3.3 Combinar necessidades e escolher padrões de corte

Nesting é o encaixe geométrico das peças no material. Neste projeto, crossing é a combinação de necessidades de SKUs compatíveis em uma mesma execução de corte.

O Korta compara padrões e quantidades inteiras de execução. Considera as restrições de material, geometria, máquina, margens, separação, orientação, prazo e excesso autorizado. O resultado deve mostrar o material escolhido, o que será produzido, as faltas e as sobras previstas.

A preferência por retalho não é automática: a alternativa precisa ser viável e fazer sentido para a operação. Aproveitamento de área, atendimento da necessidade, movimentação e prazo devem ser avaliados em conjunto, quando houver dados para isso.

3.4 Preparar a execução

PCP revisa o plano e confirma a unidade física que será usada. O procedimento de estoque precisa ajustar o componente, a quantidade e a reserva da ordem, quando aplicável, antes da liberação.

Se parte da chapa prevista for substituída por retalho, a mesma necessidade não pode continuar reservada integralmente nas duas fontes. A confirmação do plano no Korta e a reserva oficial no ERP são registros distintos.

3.5 Executar, identificar e conferir

O operador confere o material e registra o corte efetivamente realizado. A execução consome a entrada uma vez e registra peças boas, intermediários, retalhos e perdas.

Cada sobra reaproveitável recebe identificação física, geometria, endereço e vínculo com sua origem. Ela só poderá atender outra necessidade quando estiver conferida e disponível. Os movimentos e custos são conciliados com o ERP.

O objetivo é fechar o ciclo: o resultado de um corte atualiza o material conhecido para o planejamento seguinte.

4. Como representar múltiplos, peças e retalhos

A palavra “múltiplo” está sendo usada para objetos diferentes. Para o projeto funcionar, precisamos nomear cada um com precisão.

TermoO que representaExemplo
SKUCódigo do item, com sua variante quando aplicávelBlank A
BlankPeça cortada que seguirá para outra operaçãoPeça destinada à prensa
Padrão de corteArranjo que define todas as saídas de uma execução2 A + 1 B + 1 C
Rendimento do padrãoQuantidade de cada peça gerada por execuçãoDuas peças A na chapa mista
Múltiplo físicoTira ou painel intermediário que contém peças ainda a separarTira preparada para quatro blanks
Múltiplo de fabricaçãoQuantidade por ciclo ou incremento de loteProduzir em grupos de duas peças
Quantidade-base da BOMBase de referência de uma relação de composiçãoConsumo informado para um conjunto de unidades
Lote ERPIdentificação usada no controle e na rastreabilidade do estoqueLote de entrada do material
Unidade físicaUma chapa, tira, painel ou retalho individualUm pedaço identificado e endereçado
Retalho reaproveitávelSobra física qualificada para uso futuroPainel restante com contorno conhecido
Sucata/perdaMaterial que não seguirá como peça boa ou retalho qualificadoAparas e material removido pelo corte

O múltiplo físico precisa de identificação quando realmente existir no processo. O fato de um padrão produzir quatro peças não significa, por si só, que exista uma tira intermediária de quatro peças.

Lote e unidade física também têm funções diferentes. Um lote pode conter várias chapas ou sobras. Duas sobras com as mesmas medidas continuam sendo duas unidades físicas, possivelmente em endereços e condições diferentes.

A rastreabilidade deve permitir seguir a cadeia chapa de origem → tira ou painel → blanks e retalhos → novo corte. Chamamos essa relação de genealogia. Quando um retalho é cortado novamente, a unidade original deixa de estar disponível como peça intacta e as novas sobras recebem novos identificadores.

Regras de compra mínima e de embalagem continuam existindo, mas são parâmetros próprios. Não determinam o rendimento geométrico de uma chapa.

5. Como fechar a gestão dos retalhos

A gestão de retalhos começa na identificação do que realmente sobrou. Dizer que “sobraram 10% da chapa” não informa a forma, a condição ou a utilidade desse material.

5.1 Identidade, geometria e endereço

Cada retalho precisa ter, no mínimo, identificação própria, origem, material, espessura, geometria, localização e situação de disponibilidade. A etiqueta física permite recuperar esse registro e seu vínculo com o lote do ERP.

Para peças diagonais ou irregulares, comprimento e largura externos não bastam. O retângulo que envolve um trapézio inclui uma região onde não existe metal. Usá-lo como chapa cheia poderia indicar um encaixe impossível.

A evolução geométrica será feita em três etapas:

EtapaCapacidade a desenvolverValidação necessária
G1 — geometria medidaFormatos predefinidos, medidas suficientes, contorno manual ou CAD e foto de referênciaConferência dimensional e aprovação da Engenharia
G2 — captura assistidaFoto com referência dimensional, sugestão de contorno e confirmação das medidasComparação com medições independentes nas condições reais de uso
G3 — uso no planejamentoAproveitamento do contorno validado em um motor ou integração compatível com a rotaEncaixe, sequência de corte, restrições de máquina e piloto industrial

Essas três etapas são escopo de evolução. Capturar uma imagem não equivale a validar geometria, e validar geometria não equivale a liberar o corte.

Quando o plano e a execução permitirem calcular o residual, sua geometria poderá ser derivada e conferida fisicamente. Fotografia e medição serão especialmente úteis para saldos antigos, peças sem desenho e divergências.

5.2 Quantidade, peso e custo

A área física é a área de metal existente. A área útil é a região que pode receber peças depois das restrições, como defeitos, fixação e margens. A segunda pode ser menor sem que o metal tenha desaparecido.

O peso teórico usa a área física, a espessura e a densidade identificadas. Deve permanecer separado do peso medido. Ter área ou peso suficientes não garante que uma peça caiba no contorno.

Exemplo apenas didático: uma entrada de 100 kg pode gerar 88 kg de peças boas, 10 kg de retalho e 2 kg de sucata/perdas identificadas. Se os 10 kg forem cortados novamente, podem gerar 8 kg de peças, 1 kg de novo retalho e 1 kg de sucata/perda. Os 10 kg originais não permanecem disponíveis, nem entram como nova compra.

A Controladoria define a valorização e a contrapartida de cada movimento. Reclassificar saldo antigo exige conciliação: não podemos criar estoque de retalho mantendo simultaneamente a mesma massa e o mesmo custo na origem.

6. O que muda para cada área e para os sistemas

O Korta precisa mudar o modo de planejar e registrar o corte. A implantação depende de decisões coordenadas entre as áreas.

ResponsávelMudança necessáriaEntrega esperada
EngenhariaSeparar composição do produto, geometria e rendimento de cada padrão; revisar regras e equivalênciasBOM, desenhos, revisões, unidades e restrições válidas
PCPConsolidar necessidades compatíveis, considerar coberturas e sequenciar os cortesNecessidade confirmada e plano liberado pelo procedimento aprovado
OperaçãoConferir a entrada e registrar o resultado físicoConsumo único, peças produzidas, sobras identificadas e endereço
Estoques e logística internaAcompanhar cada unidade e movimentaçãoMaterial localizável, disponível e sem dupla alocação
ControladoriaDefinir valorização, rateio e reconciliaçãoMassa e custo conciliados com o estoque oficial
TecnologiaImplementar contratos entre sistemas e tratamento de falhasIntegrações auditáveis, com controle de acesso e sem duplicar movimentos

O produto será organizado por funções, permitindo integração com sistemas diferentes:

FunçãoPapel no processo
Engenharia e cadastro técnicoFornecer BOM, desenhos, materiais e revisões
MRP/APS e PCPDeterminar necessidades, prioridades e programação
KortaPlanejar os cortes e relacionar entradas, padrões e saídas
Apontamento de produçãoRegistrar o que foi executado no chão de fábrica
ERPManter os movimentos, saldos e custos oficiais
Identificação e endereçamentoLigar o registro digital à peça física e à localização

Na implantação que originou o projeto, o Senior/Sapiens continua como base de estoque, movimentos e custos; os aplicativos de engenharia, planejamento e execução complementam o processo. Essa composição é uma implantação de referência. O produto Korta deve permitir outros conectores, sem apresentar integrações ainda não construídas como disponíveis.

É possível iniciar um piloto com procedimentos manuais controlados, responsáveis e comprovantes. Isso permite testar o processo antes de automatizar todos os movimentos. Uma operação manual conciliada deve aparecer como tal.

7. O Korta como produto independente

Proposta de valor: conectar a necessidade de produção à escolha dos cortes e acompanhar o material que cada execução transforma.

O público inicial são indústrias que cortam chapas para múltiplos itens, com variação de mix e necessidade de reaproveitar sobras. O usuário precisa entender quais peças produzir, quais materiais usar e o destino de cada saída.

A oportunidade de spin-off está em transformar esse método em um produto configurável para outras fábricas. Sua apresentação deve ter identidade própria, explicação do problema, demonstração acessível e uma área operacional protegida. Os nomes e particularidades de um cliente não devem definir toda a experiência do produto.

A apresentação terá três portas de entrada:

  1. Conhecer o Korta: contexto, proposta, fluxo e estágio do produto.
  2. Experimentar uma demonstração: cenário fictício em que o visitante altera quantidades e vê como os padrões mudam.
  3. Acessar a operação: entrada autenticada para usuários e empresas autorizados.

A demonstração utiliza somente dados inventados e não grava no ambiente operacional. Ela explica o mecanismo, sem exibir saldos, ordens, cadastros ou resultados de clientes.

A marca independente não torna o sistema automaticamente um SaaS pronto para várias empresas. Antes da comercialização, precisamos definir implantação, suporte, contratação, isolamento de dados, configuração dos conectores e critérios de aceite por cliente. Preço, prazos de implantação e economia prometida dependerão de evidências e de decisões comerciais próprias.

8. O que já existe e o que precisa evoluir

A leitura abaixo distingue capacidade disponível para estudo, processo-alvo e trabalho necessário para uso produtivo.

CapacidadeSituação de referência em 26/10/2026Próximo passo
Simulação retangular e comparação de padrõesImplementadas para estudoValidar parâmetros e uso industrial
Replanejamento de ordens de corte por guilhotinaImplementado com verificação dos cortesHomologar materiais, máquinas e sequência
Planos salvos, confirmações PCP e cadastro de retalhosPersistência compartilhada implementadaValidar o fluxo completo com usuários autenticados
Leitura governada dos dados operacionaisIntegração técnica implementadaConcluir acesso corporativo e adoção operacional
Explosão produtiva completa da BOMPendente de regras, campos e validaçãoRevisar a semântica com Engenharia e PCP
Múltiplos físicos e genealogia completaProcesso especificado; implementação pendenteIdentificar entradas, intermediários e saídas
Geometria medida e captura assistidaEtapas G1–G3 propostasValidar cadastro, medição e solução geométrica
Uso de retalhos no otimizadorNão implementadoIntegrar geometria e disponibilidade individual
Etiquetas e apontamento integradoEvolução previstaValidar operação física e contratos de execução
Reserva e baixa automáticas no ERPNão implementadasHomologar movimentos e conciliação
Apresentação independente e demonstração públicaImplementadas nesta revisão para avaliação no previewRevisar divulgação e publicação externa
Oferta comercial para outras empresasEm definiçãoValidar produto, implantação e modelo de atendimento

O motor atual não deve aceitar retalhos irregulares como se fossem chapas retangulares. Uma região interna conservadora também depende de validação e da implementação de uso de retalhos, ainda pendente.

O acesso corporativo ainda depende de configuração e validação. Isso limita a verificação da operação autenticada; não deve impedir a apresentação e a demonstração fictícia do produto.

9. Como vamos implantar e provar o resultado

A sequência proposta começa no processo industrial e amplia a automação conforme cada etapa for validada.

EtapaTrabalhoEvidência para avançar
1 — alinhar o modeloDefinir termos, regras da BOM, unidades, papéis e movimentosUm mesmo caso entendido por Engenharia, PCP, operação e Controladoria
2 — testar uma família de corteEscolher material, máquina e ordens compatíveis; medir a situação inicialPlano comparável, com parâmetros reais e todas as necessidades visíveis
3 — fechar o ciclo físicoExecutar chapa, intermediário, peças e retalho; reutilizar a sobra em outra ordemIdentificação, consumo e saídas conciliados em dois cortes sucessivos
4 — automatizar as integraçõesConectar confirmações, movimentos e apontamentosFalhas, repetição e concorrência sem duplicar reserva ou baixa
5 — ampliar e preparar a ofertaValidar outras famílias e implantação em outra configuraçãoProcedimento reproduzível, suporte e fronteiras comerciais definidos

O piloto deve demonstrar atendimento da necessidade, encaixe e sequência executáveis, identidade de cada unidade física e fechamento de massa e valor. Deve também mostrar o que acontece quando falta informação, quando o plano muda ou quando a integração falha.

Os indicadores serão medidos sobre uma base comparável: material consumido por peças boas necessárias; excedente produzido; perda; reutilização de retalhos; tempo de planejamento e movimentação; atendimento do abastecimento; e divergências de estoque e custo. Aumentar a ocupação da chapa produzindo peças desnecessárias não demonstra melhoria do processo.

Critério de sucesso: o time consegue explicar e comprovar, para uma necessidade real, por que escolheu aquelas entradas, o que saiu de cada corte e onde está o material restante. A economia será consequência a medir, não um percentual a prometer antes do piloto.

Primeiro pacote de desenhos para o piloto

Começar com três casos: um retangular, um com diagonal ou formato trapezoidal e um irregular, preferencialmente com recorte ou furo. Usar os arquivos e a plataforma CAD/nesting já disponíveis na fábrica, registrando nome, versão e formatos aceitos antes de decidir por outra ferramenta.

Cada caso deve reunir arquivo nativo e DXF quando disponível; unidade e revisão; cotas suficientes para reconstruir o contorno; material e espessura; máquina e restrições; peças e quantidades desejadas; resultado do teste e suas limitações. Para retalho físico, acrescentar identificação, origem, endereço e foto com referência dimensional, mantendo peso medido separado do teórico.

O primeiro teste pode ser uma simulação. Comparar o desenho com medidas conferidas, verificar importação/exportação, encaixe e tempo de preparação. O pacote servirá de referência para desenvolver e validar o Korta. As evidências reais ficam no ambiente autorizado do projeto; a demonstração pública continua usando exemplos fictícios.

10. Regras essenciais para a implementação

Estas regras detalham o compromisso do produto sem substituir a narrativa anterior.

  • BOM e padrão têm responsabilidades próprias. A BOM relaciona produtos e componentes; o padrão relaciona uma entrada física às suas saídas. Quantidade-base, modo de consumo, perdas, revisão e validade precisam ser interpretados corretamente.
  • Não duplicar demanda nem cobertura. O modo de ordens de corte emitidas usa o saldo da etapa de corte. Ele não soma novamente forecast, carteira ou ordens consumidoras que já originaram essa demanda.
  • Cada entrada é consumida uma vez. Padrões com vários SKUs preservam todas as saídas. Rateio de custo não gera consumo adicional.
  • Disponibilidade exige confirmação. Lote, unidade física, endereço, alocação proposta e reserva oficial são registros relacionados, com estados próprios.
  • Geometria e material exigem validação. Mesma espessura não prova equivalência; área suficiente não prova encaixe. Rotação, margens, separação, laminação e rota são explícitas.
  • Retalho não é porcentagem residual. Só se torna material utilizável quando há identidade, geometria, qualidade e localização conferidas.
  • Planos preservam suas premissas. Cada versão registra fontes, parâmetros, padrões e alocações. Uma alteração de entrada exige reavaliar a atualidade do resultado.
  • Ausência de dado aparece como pendência. Peso, custo, estoque e dimensões desconhecidos não viram zero ou valores inventados.
  • O resultado informa seu alcance. Uma solução heurística não é um ótimo global comprovado. Faltas e ordens bloqueadas permanecem visíveis.
  • As integrações preservam consistência. Repetir uma solicitação não pode duplicar movimento; resultado desconhecido exige conciliação. Autorizações de acesso são validadas no servidor.
  • A apresentação usa dados demonstrativos. Dados de uma fábrica permanecem na área autorizada. Recursos planejados são identificados como evolução.
  • Revisões anteriores são histórico. Este documento substitui a narrativa acumulada das versões anteriores. Decisões técnicas detalhadas e evidências ficam nos documentos do projeto e no histórico de versões.

Glossário rápido

BOM: lista de materiais. SKU: código de um item. Blank: peça cortada antes da conformação. PCP: planejamento e controle da produção. MRP: cálculo das necessidades de materiais. APS: planejamento e programação considerando recursos e restrições. ERP: sistema de gestão e registro oficial. Nesting: encaixe geométrico. Crossing: combinação de necessidades compatíveis no corte, na terminologia deste projeto. Genealogia: relação entre uma unidade de material e as peças e sobras que dela derivaram.